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CAMPANHA “Faça Dessa Trajetória, Uma História Conhecida”

O País do Futebol é um documentário em curta-metragem que participa do Tela Digital, festival de vídeos amadores patrocinado pela Kinoforum em parceria com a TV Brasil.
Para que o filme SEJA VISTO por um número expressivo de pessoas e tenha chances de concorrer ao PRÊMIO na categoria dada pelo público, preciso do seu voto e da sua ajuda.

Assista aqui.

IMPORTANTE: O vídeo tem duração de 11 minutos e 40 segundos, demora cerca de 25 minutos até estar totalmente carregado, mas pode ser assistido enquanto isso acontece.    

Como faço para participar?
Para votar é necessário que você siga alguns passos. Abaixo, descrevo cada etapa, em caso de dúvidas, clique nas imagens para ampliá-las e siga a seta vermelha. O procedimento é fácil e demora menos de 5 minutos.

Entre no site aqui.

1º Etapa: Criar Conta
No lado esquerdo da tela (no alto), encontrará Criar Conta.   


2º Etapa: Cadastro
Será aberta a página de cadastro, preencha os dados e aperte o botão final como indicado na imagem. 


3º Etapa: Confirmação do Cadastro
Após o preenchimento dos dados, automaticamente receberá em seu e-mail uma mensagem contendo o login, a senha e um link onde deverá clicar para finalizar o registro.  


4º Etapa: Voto e Comentário
Ao clicar no link, imediatamente será encaminhado à sua página no site do Tela Digital. No canto esquerdo (no alto), coloque na caixa de busca o nome do filme (O País do Futebol ) e aperte em VÍDEO.  
  

Aparecerá o filme selecionado, clique em cima.

Agora, na página de exibição do vídeo, preste atenção nas estrelinhas, passe o cursor do mouse por cima e veja a cotação que você considera mais justa (ruim, nada especial, razoável, legal, excelente).

Exemplo:
Se clicar na primeira, A NOTA SERÁ A PIOR POSSÍVEL. Observe que o restante das estrelas ficará cinza.


Caso escolha A MELHOR NOTA, deverá clicar na última estrela e todas ficarão verdes.


Se você tiver tempo, deixe um comentário. Desde já agradeço a colaboração de todos.



DESCONSTRUINDO O PAÍS DO FUTEBOL

Em linhas gerais saiba como um antigo sonho influenciou o filme, descubra a maneira como cheguei até o protagonista e conheça os percalços, as curiosidades e meu ponto de vista sobre a produção.  



Ainda nem sabia ler quando ganhei meu primeiro livro. O presente dado por meu pai contava a origem do futebol, a chegada do esporte ao Brasil e a história das Copas do Mundo em 36 páginas. Quando fiquei um pouco mais velho, li o que antes eram apenas belas fotos, decorei escalações e placares dos jogos, conheci quem havia feito a diferença quando eu nem sonhava em nascer. Passei a ler a Revista Placar, entrei em escolinhas de futebol e tive a minha primeira decepção. Descobri que aquele mundo não era para mim, a pressão, concorrência e as críticas dentro de campo me fizeram desistir.

O tempo passou, meus interesses mudaram, entrei na faculdade de Jornalismo e comecei a imaginar que algum dia faria um documentário sobre a decadência futebolística do meu Estado. No Piauí, já tivemos clubes disputando o Campeonato Brasileiro entre grandes equipes, e hoje, sofremos na Copa do Brasil, amargamos a quarta divisão do nacional e poucos se lembram de nomes como Sima, Gringo, Brinquedo, Batistinha ou Leonardo.

Com salários baixos, há jogadores que precisam ter um segundo emprego e retirar do próprio bolso o tratamento para curar lesões, e ainda, são obrigados a treinar em lugares sem nenhuma estrutura. Na capital, um elefante branco é enfeite desde os tempos da ditadura, estádio que uma vez ao ano enche durante a Copa do Brasil para times de fora e serve de inimigo aos clubes locais. Sem apoio financeiro, o futebol piauiense vive seu pior momento.  

Encontro Marcado com Newton Lemos
 
Cursava o 6º período de Jornalismo em junho de 2009 e estava encerrando a disciplina Assessoria de Imprensa, a última atividade do semestre era em equipe e buscávamos alguém que necessitasse de um assessor. A primeira opção foi dica de uma integrante do grupo, mas a escolha tornou-se impraticável pela fata de colaboração de quem precisava do auxílio. Com o tempo se esgotando, aceitamos a alternativa dada pelo professor Helder Freitas e foi através dele que fizemos contato com Newton Lemos.

Assumi a responsabilidade de produzir um vídeo contando em poucos minutos a trajetória daquele homem e de 105 garotos em uma escolinha de futebol no bairro Vermelha, em Teresina. 
Um Homem e Seu Sonho: Newton Lemos (Seu Nilton) mantém
 há 5 anos o Projeto Crianças, Jovens, Futuros Cidadãos.

HAVIA PEDRAS NO CAMINHO
 
Não foi fácil achar o tom certo, a intenção era evitar que soasse apelativo ou melodramático, a história deveria ser envolvente sem maniqueísmos. Esteticamente foi ainda mais complicado obter bons resultados com apenas uma câmera fotográfica Sony (cyber-shot DSC-W100) e um tripé. Após alguns dias de trabalho, eu tinha 2 horas, 3 minutos e 2 segundos de imagens e depoimentos divididos em 92 vídeos.

Consciente que existiriam zonas de desfoque, o colorido não seria conveniente por conta da iluminação e movimentar a máquina continuamente seria arriscar a nitidez em demasia, utilizei as limitações da câmera a meu favor e concebi um visual árido e coerente ao que estava sendo contado, sem cores ou música para distrair. O preto e branco direcionou a atenção e destacou a precariedade do local com suas lâmpadas queimadas e gramado inexistente, as poucas imagens em cores acabaram enfatizando a situação.

Elementos como fades foram uma escolha perigosa, poderiam dar ao vídeo uma natureza episódica quando o objetivo era que funcionassem como cadência rítmica para imersão do espectador. Nesse sentido, uma maneira eficiente foi não usar a narração em off, mas sobrepor o depoimento do Sr. Newton com outras cenas de modo a conduzir a narrativa sem intromissões externas.

Optar pelo uso da câmera na mão foi uma decisão acertada, apesar do risco da perda de visibilidade, o recurso ofereceu a sensação de estarmos mais próximos daquela realidade. Na sequência que antecede o título, cenas curtas são uma sugestão à localidade, ao tema e uma expectativa em torno do personagem principal, os gritos (quem já esteve em um campo de futebol sabe do que estou falando) e o trânsito (uma avenida movimentada passa ao lado) como efeitos sonoros na abertura são uma indução ao ambiente.

Já em outros momentos, decidi por enquadramentos mais “conservadores” e estáticos como o close-up que revela o personagem principal, a lente tão perto de modo a não restar dúvidas que aquele homem de fala simples e rosto enrugado (muito mais do que a idade sugere) é o responsável pela durabilidade e equilíbrio daquele universo. Cinematograficamente falando, a intenção era que ele surgisse simbolicamente maior do que os obstáculos impostos pelo meio e que a câmera ali parada pudesse captar o andamento de seu estado emocional - cada sequência do depoimento foi gravada em tomada única e só depois editada - o plano era que o entrevistado se sentisse confortável em contar sua história e não considerasse a presença do equipamento um fator que o intimidasse, e isso, só seria possível se eu não estivesse o tempo todo parando, mudando de ângulo e coisas do tipo. Com essa estratégia eu tinha dois objetivos: 1) Não perder uma emoção genuína caso ela ocorresse; 2) Passá-la de maneira natural ao espectador sem o auxílio de clichês como músicas ou closes nos olhos.

Moldura: Newton Lemos e os alunos da escolinha
Estrela Vermelha.
O fato é que o tempo de preparação foi escasso e várias das decisões ocorreram durante as filmagens. Antes das gravações, tive uma conversa preliminar com Newton Lemos em sua residência e fiz uma visita ao campo para conhecer o ambiente e os garotos - só então pensei o que era importante obter e quais posturas estéticas deveria assumir. Nos contatos seguintes, tinha em mente um esboço do que seria gravado, e também, um desejo que minha presença não interferisse na rotina. Esse tipo de proposta em locação é uma faca de dois gumes, possibilita descobrir a verdade daquele mundo e tira das suas mãos o controle da situação, muitas coisas acontecem no mesmo instante e ali começa o processo de edição. É fundamental que você filme bastante, é melhor sobrar do que faltar quando estiver montando o produto final.

Considerando que o vídeo teria cerca de 10 minutos para exibição em sala de aula (acabou tendo nove), mais de 90% do que foi filmado acabou descartado. Dois anos depois quando surgiu a oportunidade de participar do Tela Digital, as regras determinavam que os curtas não poderiam ultrapassar o limite de 12 minutos. Portanto, lamento ter sido obrigado a excluir o depoimento de treinadores de outras escolinhas como Mozer, Walter, Dona Maria e de amigos do protagonista como Tainha, Miguel Buchada, Valdemir Araújo, Seu Guilherme ou dos alunos do Sr. Newton. Além da falta de tempo, o excesso de falas acabaria por diluir a continuidade narrativa e a elaboração visual. 

A Escolha do Título
 
Ao decidir participar do festival, pude remontar o vídeo e acrescentar algumas cenas. A primeira versão levava o nome do projeto social - Crianças, Jovens, Futuros Cidadãos - mas resolvi mudar e buscar outro que fosse menos reducionista. Percebi que o filme em proporções bem mais modestas era o mesmo que um dia sonhei fazer, dei a ele o título que seria do documentário idealizado nos tempos de faculdade.

Um nome que poderia soar comum e sem criatividade, é na verdade uma crítica ao país reconhecido internacionalmente pelo esporte e que as vésperas de uma Copa do Mundo exclui uma parcela da população de obter êxito na modalidade. É também, uma homenagem à história de Newton Lemos e a de milhares de garotos pelo Brasil que sonham com a possibilidade de se tornarem grandes jogadores.

Não foi por acaso que fiz um filme carregado de simbolismos - onde um garotinho aparece calçando uma chuteira enquanto o outro pé ainda está descalço na areia - tentei mostrar como aquele mundo caminha em uma constante corda bamba e procurei passar a mensagem que ali existe um objetivo maior do que revelar craques. Por isso, escolhi encerrá-lo com uma sequência que começa em contraluz e aos poucos assume a composição normal, como se dissesse que apesar das metas aparentemente ingênuas do protagonista, existe uma luz no fim do túnel. O Sr. Newton sabe o quanto é dolorido não atingir o objetivo de ser uma atleta profissional, por essa razão seus esforços também são direcionados à formação do caráter dos alunos do Estrela Vermelha. Não deixa de ser o curioso que o futebol possa servir a diferentes propósitos com o mesmo sucesso.

Assista ao Teaser!




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O pontapé inicial já foi dado.